Deslocamento atômico para um instante único em que o poema mais lírico se mostre a coisa mais lógica.
domingo, 29 de setembro de 2013
Vai ver é por isso que tá difícil achar alguém que goste de mim de verdade, moço. Porque pra gostar tem que gostar não só das qualidades, que cá pra nós são poucas, tem que gostar dos defeitos e esses são muitos. Me amar mesmo mandona, exagerada, nervosa ou de TPM. Gostar de mim mesmo quando eu chorar por tudo, inclusive comédia romântica. Nem precisa me entender, basta só gostar, aceitar. Sou humana, cheia de defeitos e assim me assumo. Vai ver é por isso que tá difícil achar alguém que goste de mim de verdade moço.
E o moço fala desse jeitinho assim despreocupado e eu, que já não penso só sinto, me entrego a sentimento tão bonito e tão doído. Me entrego porque resistir não posso nem quero. E o moço assim sempre tão calmo, ri enquanto eu sofro, ri porque pro moço é uma dor merecida, uma dor que vale a pena. E o moço tão sábio olha pra mim e diz:
-É dor de amor pequena.
-É dor de amor pequena.
sexta-feira, 27 de setembro de 2013
... E vendo o homem com os olhos abertos como tudo passa, só nós vivemos como se não passáramos. (...) Todos imos embarcados na mesma nau, que é a vida, e que todos navegamos com o mesmo vento, que é o tempo; e assim como na nau uns governam o leme, outros mareiam as velas; uns vigiam, outros dormem; uns passeiam, outros estão assentados; uns cantam, outros jogam, outros comem, outros nenhuma coisa fazem e todos igualmente caminham ao mesmo porto; assim nos, ainda que não pareça, insensivelmente imos passando e avizinhando-se cada um a seu fim: porque, conclui Ambrósio, tu dormes e o tempo anda: Tu dormis et tempus ambulant. Disse pouco em dizer que o tempo anda; porque corre, voa; mas advertiu bem em notar que nós dormimos; porque tendo os olhos abertos para ver que tudo passa, só para considerar que nós também passamos parece que os temos fechados. (...) considerando este continuo passar homem, diziam os sábios da Grécia que todo homem que chega a ser velho morre seis vezes; e como? Passando da infância à puerícia, morre a infância; passando da puerícia à adolescência, morre a puerícia; passando da juventude a idade de varão, morre a juventude; passando da idade de varão à velhice, morre a idade de varão; finalmente passando de viver por tanta continuação e sucessão de mortes, com a ultima que só chamamos morte, morre a velhice. (...) se o sol que sempre é o mesmo, todos os dias tem um novo nascimento e um novo acaso, quanto mais o homem por sua natural inconstância tão mutável, que nenhum é hoje o que foi ontem, nem há de ser amanha o que é hoje!
-Pe. Antonio Vieira
To com uma puta carência. Dessas que batem no meio da noite e te fazem ficar lá naquela onda errada de "Quando vai ser a minha vez?" Detesto me sentir assim, é como se eu fosse dependente o que deixo claro desde já: Não sou. Só que vá lá, até mesmo a alma mais solitária de vez em quando quer companhia, e meu quando chegou acredito. Só queria não em sentir assim ou sei lá não ter razões pra me sentir assim. Lembro daquela frase:
"-E os namoradinhos?
Como eu explico pra ela que os caras me acham estranha demais pra isso?"
No fim das contas ta tudo coisado por aqui.
"-E os namoradinhos?
Como eu explico pra ela que os caras me acham estranha demais pra isso?"
No fim das contas ta tudo coisado por aqui.
Você é um cachorro mesmo, desses que não tem mais como consertar. Um safado, cachorro, sem vergonha. Um desses gostosões que só quer pegar e largar, desses brutos que te puxam e tiram até o ar. Um bruto isso sim. Com esses braços que parecem de lenhador, esse tanquinho que dá pra lavar um edredom, essa mania de ser gostoso e saber disso. Porra, tu é um vagabundo cara. E eu que não sou dama, nem princesa de aba reta, me apaixonei por um cara que é um cachorro. Não vou me cansar de repetir isso. Tu não vale nada cara. Mas eu também não e na verdade mesmo eu bem que queria que tu chegasse e puxasse pelo cabelo, me jogasse na parede... Tu é um vagabundo cara e eu adoro isso.
domingo, 22 de setembro de 2013
O problema é que eu crio expectativa demais, eu transformo as pessoas na minha visão maluca de mundo. Mundo este em que eu controlo tudo. E eu gosto da previsibilidade, de tudo acontecer como eu quero. Gosto dessa sensação. O problema é que eu acordo, eu sempre acordo.
- "Ah Mario se eu pudesse controlar todos como eu controlo você"
Detesto quintas feiras. Parece que tudo pode acontecer, mas na verdade nunca acontece nada. E eu detesto essa sensação de véspera, essa ansiedade sem fundamento, essa tensão. Detesto esse meu mau humor e essa agonia pro dia acabar logo. Detesto você também e essa sua mania de sumir as quintas. Detesto as quintas por me manterem longe de você detesto ainda mais você que me deixa assim.
-Aquela quinta em que você sumiu
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